Os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) divulgados em abril revelam um quadro que mistura avanços e persistências preocupantes. O Brasil melhorou seus indicadores de acesso à educação básica — a taxa de analfabetismo caiu para 5,3%, o menor nível histórico — mas as desigualdades de desempenho entre regiões, raças e classes sociais permanecem profundas.

Uma análise dos microdados do INEP realizada pelo Pulso Nacional mostra que um estudante negro do Nordeste tem, em média, desempenho em leitura equivalente ao de um estudante branco do Sudeste com quatro anos a menos de escolaridade. Essa diferença, que reflete décadas de investimento desigual e exclusão histórica, não diminuiu significativamente na última década.

"Nós avançamos em acesso. Mas acesso sem qualidade não resolve o problema. E a qualidade ainda é profundamente desigual", afirma a professora Denise Carvalho, pesquisadora do Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da UFJF.

Os dados também mostram que a pandemia deixou marcas duradouras. Estudantes que estavam nos anos iniciais do ensino fundamental em 2020 e 2021 apresentam déficits de aprendizagem que ainda não foram completamente recuperados, especialmente nas redes públicas municipais com menor capacidade de oferta de ensino remoto.

O governo federal lançou em 2023 o Programa Escola em Tempo Integral, que prevê a ampliação da jornada escolar como estratégia de recuperação. Os primeiros resultados, ainda preliminares, são positivos em algumas regiões, mas especialistas alertam que a expansão precisa ser acompanhada de investimento em infraestrutura e formação de professores.