A polarização política no Brasil não é um fenômeno novo, mas sua intensidade atual é incomum na história recente do país. Pesquisas de opinião mostram que a desconfiança entre eleitores de diferentes campos políticos atingiu níveis recordes, e que essa divisão vai além de preferências partidárias — ela afeta relações familiares, amizades e até decisões de consumo.

O que está por trás disso? Cientistas políticos têm respostas diferentes, e o debate é rico.

Uma corrente, representada por pesquisadores como Jairo Nicolau, da FGV, argumenta que a polarização brasileira é em grande parte conjuntural — produto de uma crise econômica prolongada, do escândalo de corrupção revelado pela Operação Lava Jato e da ascensão de lideranças que se beneficiam eleitoralmente do conflito. Nessa visão, a polarização pode diminuir com a normalização institucional e a melhora das condições de vida.

Outra corrente, associada a pesquisadores como André Singer, da USP, vê na polarização uma expressão de divisões sociais mais profundas — entre classes, entre regiões, entre visões de mundo que têm raízes históricas longas. Para esses analistas, a polarização não vai desaparecer com uma eleição ou uma crise superada.

O Pulso Nacional conversou com seis pesquisadores de diferentes universidades e centros de pesquisa para mapear o estado do debate. O que emerge é um quadro complexo, que não se encaixa em nenhuma das narrativas simples que circulam nas redes sociais.