A taxa de desemprego no Brasil chegou a 6,8% no primeiro trimestre de 2025, segundo dados do IBGE — o menor nível desde 2012. Os números foram celebrados pelo governo como prova de uma recuperação econômica robusta. Mas uma análise mais detalhada dos dados revela uma realidade mais complexa.

A maior parte dos empregos gerados nos últimos dois anos está no setor de serviços e no trabalho por conta própria. O emprego formal com carteira assinada cresceu, mas em ritmo menor do que o esperado. A informalidade continua alta — 38% dos trabalhadores brasileiros não têm carteira assinada, segundo a PNAD Contínua.

"Desemprego baixo não significa necessariamente trabalho de qualidade. Precisamos olhar para a renda, para a proteção social, para as condições de trabalho", alerta a economista Laura Carvalho, professora da USP e autora de pesquisas sobre mercado de trabalho.

Os dados também mostram disparidades regionais significativas. Enquanto o desemprego no Sul e Sudeste está abaixo de 5%, no Nordeste ainda supera 10%. E entre jovens de 18 a 24 anos, a taxa é de 18,4% — quase três vezes a média nacional.

O Pulso Nacional analisou os microdados da PNAD Contínua e conversou com economistas, trabalhadores e representantes de entidades sindicais para oferecer um panorama mais completo do que os números agregados mostram.